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sábado, julho 02, 2011

APRENDENDO A GERIR AS EMOÇÕES


Quando voltamos a atenção para as nossas emoções, achamo-las óbvias e algo misteriosas. Elas são o estado da nossa mente que melhor conhecemos e lembramos com melhor clareza, podemos sentir as nossas emoções de forma consciente e sabemos que as sentimos. Por vezes não sabemos de onde vêem, podem mudar de repente ou lentamente, e as suas causas podem ser evidentes ou obscuras. Por vezes não sabemos porque razão acordamos “com os pés de fora“, podemos ser amistosos ou violentos por razões contrárias às que guiam as nossas acções. No entanto as nossas emoções parecem ter a sua própria agenda, por vezes com ou sem a nossa participação directa.
As emoções determinam a qualidade das nossas vidas. Elas acontecem e manifestam-se em qualquer relacionamento que temos, no trabalho, nas amizades, com os familiares, e nas nossas relações intimas. Elas podem salvar a nossa vida, mas igualmente causarem-nos danos graves. Podem conduzir-nos a acções que julgamos realistas e apropriadas, mas as nossas emoções podem também conduzir-nos a agir de formas a que nos arrependemos mais tarde.
Se o seu chefe criticou o relatório que você pensou que ele iria louvar, você irá reagir com medo e tornar-se submisso ao invés de defender o seu trabalho? Será que as emoções o protegem de danos ainda maiores, ou talvez você tenha entendido mal o que estava fazendo? Você pode esconder o que estava sentindo e “agir de forma profissional”? Porque sorriu o seu chefe, quando começou a falar? Estava a desdenhar, ou estaria a tentar livrá-lo de um embaraço? Terá sido um sorriso tranquilizador? Serão todos os sorrisos iguais?
Se você tivesse que enfrentar o seu cônjuge com a descoberta de uma grande compra que não tinha abordado com você,  como saberia se aquilo que ele mostrou era medo ou desprezo, ou se ele estava expressando a cara que ele mostra quando está esperando o que você faz quando tem um comportamento excessivamente emocional? Você sente as emoções da mesma forma que ele sente, da mesma forma que as outras pessoas? Você fica com raiva, medo ou triste sobre assuntos que não parecem incomodar os outros, e não há nada que você possa fazer sobre isso? Claro que há.

QUANDO NOS TORNAMOS EMOCIONAIS
A grande maioria do tempo, e para alguns de nós durante todo o tempo, as nossas emoções servem-nos bem, através da mobilização para lidarmos com aquilo que é mais importante para nós e nos nutre com as mais diferentes formas de satisfação, gozo e bem-estar. Mas por vezes as nossa emoções colocam-nos em apuros. Isto acontece quando as nossas reacções emocionais são inapropriadas, numa das 3 formas que descrevo a seguir:
  • Mostramos e sentimos a emoção apropriadamas com a intensidade incorreta. Exemplo, a preocupação é justificada, mas reagimos de forma excessiva e ficamos terrificados.
  • Sentimos a emoção apropriada, mas expressamo-la da forma errada. Exemplo, a nossa zanga é justificada, mas remetermo-nos ao silêncio foi contraproducente e infantil.
  • Sentimos a emoção errada. Nem a nossa reacção é demasiado intensa, nem a nossa forma de expressão é incorreta. Exemplo, O problema não é porque estamos demasiado receosos, ou que mostrámos isso de forma errada, o problema é que posteriormente percebemos que não deveríamos ter ficado com medo.
Relembre-se de uma altura em que estava a dirigir o seu automóvel e subitamente um outro carro aparece a alta velocidade, quase na iminência de bater em você. A sua mente estava focada numa interessante conversa que estava a ter com o seu amigo no banco ao seu lado. Num instante, antes sequer de ter tempo para pensar, antes de ter consciência do que estava a ocorrer, parte da sua mente, detetou o perigo e um alerta de medo foi sentido. Quando uma emoção tem inicio, leva uma questão de milissegundos para tomar controle sobre aquilo que fazemos e pensamos. Sem total consciência da nossa escolha, você automaticamente vira o volante do seu carro para evitar o outro motorista, colocando o pé no travão. Ao mesmo tempo uma expressão de medo emerge na sua cara, os olhos abrem-se muito rapidamente  e os lábios esticam-se no sentido das suas orelhas. O seu coração começa a bombear sangue mais rapidamente, começa a suar, e o sangue é enviado para os grandes grupos musculares nas suas pernas. Essas reacções ocorrem porque ao longo da nossa evolução tem sido útil aos outros para saber quando sentimos o perigo, e tem igualmente sido útil para estar preparado para fugir ou atacar quando se tem medo.
As emoções  preparam-nos para lidar com eventos importantes, sem que tenhamos de pensar sobre o que fazer. Você não teria sobrevivido ao quase-acidente de carro se parte de você não estivesse monitorizando continuamente o mundo para sinais de perigo. Nem teria sobrevivido se tivesse de pensar conscientemente sobre o que você deveria fazer para lidar com o perigo, uma vez que era evidente. Neste situação exemplificada, as emoções provaram ser uma mais valia, num mundo onde constantemente temos de tomar decisões que nos protejam ou nos salvem a vida. A resposta emocional, é sempre bastante energética, impulsiva, e altamente virada para a ação
. No entanto com todas as vicissitudes existente na nossa vida, os perigos generalizaram-se e tornaram-se abstratos, como por exemplo, o medo de não passar num teste, o medo de perder o emprego, o medo de fazer má figura, a frustração de ser preterido, a frustração de não ser ouvido ou levado em consideração. Todos estes exemplos podem despoletar uma resposta emocional, nem sempre adequada às circunstâncias.

CONCENTRAÇÃO-UM CONTROLE PARA UMA VIA EMOCIONAL



Concentração, é a capacidade de pensar como desejamos controlar nossos pensamentos e dirigi-los para um fim determinado. Significa completo auto-controlo. Como disse Erich Fromm, “o passo mais importante para chegar a concentrar-se é aprender a estar sozinho consigo mesmo”. A concentração é, pois, completa quando temos total controle sobre nossos pensamentos e não permitimos divagações e/ou disperssões mentais para outro assunto que não seja o foco principal. Sendo o pensamento uma forma de energia, ao focalizarmos essas energias todas para um só ponto teremos muito mais resultados do que emitindo energias dispersas para todas as direcções (como a lente de aumento e os raios solares).
O excesso de trabalho, de preocupação, de estudo, de problemas pessoais, entre outras coisas, pode ocasionar dificuldade para fixarmos a nossa atenção naquilo que nos serve e conscientemente delineamos para as nossas vidas. Aí ocorre a dispersão mental, a qual se pode  manifestar em maior ou menor grau, por breves ou longos períodos de tempo, em determinadas fases da vida, ou tornar-se um hábito mental enraizado (inclinação mental para pensar e agir de determinada forma). Observamos isso quando, por exemplo, estamos lendo um texto e temos que voltar e reler o parágrafo inteiro, pois percebemos que estávamos apenas passando os olhos pelas letras sem absorver nada.
Quando perdemos o controlo emocional, deixando que o corpo tome conta das nossas acções e atitudes,  isto é característico da dispersão mental, da falta de concentração,  que acarreta desde leves consequências, tais como cometer pequenos erros nas nossos acções rotineiras até graves comportamentos que mais tarde nos arrependemos. Todavia, ainda que não existam consequências graves, a dispersão mental esgota com facilidade a nossa capacidade de raciocínio.
Devemos levar em consideração duas regras básicas na acção de concentrar-se: hábito e auto-sugestão. Tais são, portanto, os caminhos para desenvolvermos a capacidade de concentração. Por outro lado, dois são os fatores principais para uma concentração perfeita: ambição e desejo. Desejo forte é a chave diferenciadora da concentração: com ele se atinge a realização.
                                                          ANDREYA CARVALHO

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